A Páscoa nossa de cada dia

Não participo mais dos eventos tradicionais católicos na Igreja, mas aprendi o que significa cada um deles e a Páscoa, traduzida hoje em troca de chocolates, pode nos colocar um pouco em contato com nossa humanidade, mesmo para aqueles não religiosos ou para o que professam outras religiões.

Ao contrário do Natal, que festeja o nascimento de uma criança, com todas as possibilidades e esperanças que uma vida nova carrega, a Páscoa é um evento mais denso, porque associado com a morte e todo mistério que ela representa para o homem.

No entanto, experimentamos vida, morte e renascimento durante toda a nossa breve existência.

Muitas vezes temos nossas sextas-feiras da Paixão, quando nos recolhemos, sofremos, ou quando percebemos nossas limitações, e renascemos, criando uma nova versão de nós mesmos. Passamos por este processo várias vezes ao longo da vida e é sempre um processo de crescimento; ou deveria ser.

Da mesma forma, renascemos depois de cada escolha;

Renascemos ou morremos um pouco depois de cada ato ou omissão;

Renascemos quando reconhecemos nossas próprias sombras nos julgamentos que fazemos dos outros;

Renascemos quando desconectamos do externo e mergulhamos fundo para resgatar e trazer à tona nossa verdadeira essência.

Renascemos quando temos que nos reinventar para nos adaptarmos às novas exigências que a vida às vezes nos impõe;

Renascemos quando abrimos a escuta para o novo e reverenciamos todo o aprendizado dos que vieram antes de nós.

Renascemos à medida que envelhecemos, já que temos que colocar mais intensidade no que fazemos.

Renascemos quando acolhemos a diversidade e exercitamos a gratidão.

Renascemos quando preservamos a terra para abrigar novas vidas.

Mas o grande desafio é nascer de novo a cada nascer de sol. Cada dia uma vida nova.

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