Nada me entristecia mais como mãe do que ver meus filhos brigando. Me sentia incompetente, incapaz, infeliz…
A minha geração cresceu com aquela imagem dos comerciais de margarina, todos alegres logo cedo em volta da mesa, e sendo servidos pela sorridente mãe. (não vou aqui discutir patriarcado).
Meus filhos cresceram, de alguma forma se resolveram, e nós pais, com eles. Um baita aprendizado pra todos.
Mas, uma vez mãe, sempre mãe.
Hoje vejo nosso país esfacelado, dividido, tantos irmãos brigando entre si, ao vivo e nos ambientes virtuais… Tantas mortes evitáveis, tantas mães vendo os filhos “abatidos” como bichos, tanta intolerância com as diferenças…e me sinto realmente triste…
Quando meus filhos brigavam, achava que ia ser pra sempre… Mas não. Mesmo com as diferenças, e respeitando aquele distanciamento saudável, eles interagem, se ajudam e se respeitam.
Aprendi que família margarina não existe e que as neuroses persistem, mesmo que tudo isto esteja disfarçado nas belas fotos. Mas é lindo assim mesmo. E por isso é lindo!
Da mesma forma que meus filhos, meu desejo sincero como mãe, é que nós pudéssemos baixar a guarda, ouvir e dialogar mais, e conseguir ver nossos conterrâneos como irmãos. Temos uma história, uma ancestralidade, uma cultura, uma energia que precisa ser canalizada menos para a competição, e mais para a cooperação. Mais pela paz, menos pela violência. Ninguém está ganhando nada com esta situação. Mesmo os usurpadores, acreditem.
Os números da violência entre nós são inaceitáveis e não podemos nos acostumar com isso, nem continuar com a crença de que umas vidas valem mais do que as outras e que resolveremos tudo no chumbo trocado. #Jadeu.
Nunca seremos uma ilusória família margarina, e nem todas as diferenças se resolverão, mas temos que dar uma chance para o diálogo, para o amadurecimento, (parecemos crianças birrentas), e crescer!!! Todos merecem VIVER!
Daí que a data permite pieguices, então vai uma música brega chique das antigas:
Vamos dar as mãos e cantar
Antônio Marcos
Todas as portam se fechem
Todas as vozes se calem
Antes que o dia anoiteça
E nunca mais amanheça
Antes que a vida na terra
Desapareça
Vamos dar as mãos, vamos dar as mãos
Vamos lá, e vamos juntos cantar
(duas vezes)
Antes do grande final
Antes dos rios secarem
Todas as mães se perderem
Todos os olhos chorarem
Antes que o medo da vida
Faça de mim um covarde
Antes que tudo se perca
E seja tarde
Vamos dar as mãos…