Um inconveniente sorriso

Está sorrindo porquê? – Seu time ou seu candidato ganharam?

Não.

Como assim? Alegre por nada?

Por escolha.

Ahnnn?

Minha alegria não depende de candidato, de time de futebol, sol ou chuva. Há sempre algo pra se alegrar. Depende do olhar.

E os outros? Não se importa com as dores dos outros? Com o que está por vir?

Sim, é claro, mas de que forma minha raiva, rancor ou tristeza podem ajudar os outros ou mudar o que está por vir?

Chegamos até aqui alimentando ódio, rancor, culpa e tristeza. Cabisbaixo e macambúzio não vejo ninguém à minha frente ou ao meu lado…

Se sua alegria depender sempre de algo externo, você também será sempre manipulado e não conseguirá alegrar ninguém, nem a si próprio. Alegrar-se é um exercício, depende um pouco de se permitir. É transgressor e além disso reverbera.

É mais fácil se acomodar na desesperança e na lamúria, tudo é feito deliberadamente pra isso. De certa forma elas nos alimentam e criam dependências e escolhas perigosas.

Baboseira! Com tanta coisa pra combater ainda… só quando tudo ficar no lugar e do meu jeito.

Não seguimos caminhando?

Quando então vai sorrir de novo?

Comemoro e sorrio de vez em quando, mas hoje não tenho tempo nem razão.

Esperando ganhar um round na “luta da vida”, o sucesso do meu ídolo no reality , a próxima selfie, quando sextar ou a conta fechar.

Então tá, picos de euforia são legais, pensou ela, mas subversiva é a alegria interna, cotidiana e persistente.

Enquanto tudo não se “resolve” e não chega a hora, fico com minha baboseira, disse então.

E seguiu, com seu inconveniente sorriso.



Captado por aí:

“Não dê conversa para a desgraça, ela é insaciável”

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