Quanta coisa é dita, feita e prometida em nome de Cristo…
No entanto, quem professa as religiões Cristãs diz tê-lo como exemplo quando sabemos que alguém que abandona pai e mãe, vira as costas para os templos, acolhe crianças e desvalidos, se envolve com prostitutas, enfrenta poderosos, se isola no monte, convenhamos, certamente seria de novo hoje e em qualquer tempo perseguido e crucificado.
Portanto, coloquemos a hipocrisia e os pseudo porta vozes de lado. De nada nos servem se vivemos como zumbis, à mercê de estímulos midiáticos infantis, afastados da nossa essência, conduzidos por dogmas religiosos e seculares de todos os tipos, e por falsos moralistas.
Cristo, acredito, não esteve entre nós como capataz de Deus para delatar nossas fraquezas e nos cobrar atos de heroísmo ou de caridade pura que nos abrandam a culpa, tampouco para ser mero interlocutor de nossas lamúrias e desejos.
Ele levou sua divina humanidade às últimas consequências: assumindo dons, limitações, sua missão e inúmeras dores. Acho que é isso que no fundo admiramos Nele. A busca pela integridade, que envolve luz e sombra, sua fala compatível com as ações e a autonomia com suas consequências, algo raro, por isso especial, neste mundo de autômatos.
Portanto, se ainda lembramos que Natal é para comemorar Sua passagem por aqui, e não só para tirar foto com Papai Noel, e trocar nota fiscal por ticket de sorteio de carro, pelo menos honremos o que é Dele realmente e não o que criamos à mercê das nossas conveniências.
Que a gente, querendo, professe qualquer fé, com espírito laico, alegria, dignidade, lucidez e autorresponsabilidade e deixando de usar Seu nome em vão.
São meus sinceros votos para todos nós neste Natal.