Roda da Vida

Cada lugar tem seu ritmo. E a gente se molda ao tempo do lugar.

Num dia em uma cidade do interior, sentados em bancos na rua, vimos a roda da vida girar…

Um bêbado inconveniente fazia catarse de sua vida mal resolvida com quem quer que se aproximasse.

Uma carreata passava pelas ruas estreitas, em buzinaço, anunciando um casamento. Vimos a festa animada  acontecendo pela tarde adentro e o desapontamento de quem não podia estar lá.

Na Igreja chegava um carro funerário com o caixão de uma criança, a mãe chorosa acompanhada de amigas. E os transeuntes apiedados.

Vimos os “homens de bem” da cidade, no boteco copo sujo, desfilando seus feitos, fazendo catiras, soltos, sorridentes.

Mulheres em casa, nos alpendres, de olho no movimento, ou trabalhando nas lojinhas e restaurantes.

E num restaurante, vimos a matriarca gerenciando a família no self service de alta rotatividade.

Um gringo inaugurava um café, depois de 15 anos administrando uma pizzaria, querendo estar mais próximo  do filho autista.

Conhecemos D. Lourdes, a viúva benzedeira, que nos atendeu num domingo, mesmo não sendo dia de “trabalho”.

Os turistas circulavam pelas ruas de pedra, casais de mãos dadas, tentando afrouxar o laço do stress, da histeria virtual e do jornal. Concessão só para para fotos e selfies.

Cavalos soltos, alheios e ruminantes, cães, muitos cães levando uma vida vadia, sem agenda e neuroses.

É bom apenas estar e observar. Num esforço de não analisar, driblando nossa mente viciada em julgamentos.

Como experimentar um  haikai*…

Na pousada, gente querendo ficar, girar a roda da vida mais devagar…

Quem está quer ir, quem vai quer ficar, afinal, qual nosso lugar?

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