Esse minúsculo espaço de fala é um entre milhões nesta babel virtual que criamos. Não importa. Enquanto escrevo, me reviro.
E pergunto, e duvido, às vezes logo após fazer uma afirmação, mas admiro quem já encontrou um porto seguro nas autorrotulagens e nas convicções… Ou não.
Num mundo de muita patrulha, dualidade, de isto ou aquilo, se defende algo, é contra alguma coisa, de redes e vida real transformadas em tribunais da vida alheia, é bom ter um lugar para, antes de tudo, me encontrar.
Sempre fui muito mental, por temperamento, signo talvez e, como nossa sociedade prega e ensina, ruminante de pensamentos, julgamentos, cobranças, culpas e muitas crenças.
Neste espaço organizo as ideias pra seguir adiante nas perguntas.
Nos últimos tempos venho tentando tirar véus, mudar o ouvido de lugar, acessar mais os sentidos, mas é preciso limpá-los dos ruídos, silenciar um pouco, já que todo mundo hoje tem resposta pronta e lacracâo pra tudo…(vide Twitter e afins)
E se? Porquê não? Será mesmo? Quero? Gosto? Devo? Tenho certeza? Me ofendi porquê? Qual a razão desta raiva? Como lidar com isso? O outro é mesmo o “culpado”? Tem de ser do meu jeito? Posso mudar o mundo sem eu própria evoluir?
Sinto que estamos também movidos pelo externo. Tanta coisa acontecendo, tantas tragédias, mazelas e demandas, que não nos permitimos um mínimo de introspecção com medo de parecermos egocêntricos ou alienados. Mas embora estejamos antenados, informados e cem por cento pra fora, continuamos autocentrados, vitimizados, egóicos, querendo reconhecimento e reciprocidade em tudo que fazemos. E extremamente reativos.
Mais do que sentir, tenho buscado (nunca é tarde, né?) aprender a lidar com o que sinto e deixar fluir. Grande e às vezes doloroso desafio. Os macaquinhos mentais nos prendem e ora não identificamos os sentimentos e descarregamos em alguém as frustrações, ora sabemos deles mas ficamos apegados e tatuamos na alma mágoas, ressentimentos e culpas pra sentirmos pena de nós mesmos.
Será que estaríamos matando tanto, depredando tanto, nos agredindo tanto, nos adoecendo tanto, se estivéssemos conectados cada qual com sua essência, minimamente em harmonia com as emoções? Precisaríamos de tantos mitos, e de tanta dependência das referências de celebridades? Não seríamos menos massa de manobra, não estaríamos menos infantilizados e inseguros de nossas escolhas e criticando menos as escolhas alheias? Mais compassivos talvez?
Como veem, as perguntas se avolumam e podem ter respostas diferentes para diferentes pessoas ou para a mesma pessoa em momentos diversos. Talvez por isso batemos tanto as cabeças…
“Mas o que quer dizer este poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? – respondi triunfante.
Uma nuvem – disse ela – umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo…Mario Quintana