Estamos irremediavelmente plastificados. Comemos plástico, vestimos plástico, descartamos plástico, precisamos irremediavelmente do plástico. Não tem cana de açúcar nem mandioca que dê conta do quanto usamos plástico. É bom, é ruim, é necessário, é expletivo, somos irremediavelmente dependentes do plástico. Não tem inovação, político, influencer ou ong que nos livre do plástico. Passamos plástico na pele, no cabelo, tomamos água plastificada, somos irremediavelmente dependentes do plástico. Temos coração de plástico, eletrodomésticos de plástico, carros cheios de plásticos, embalagens, copos, pratos, garfos e facas. Estamos irremediavelmente plastificados. É barato, reciclável e lavável. Que bom que tem o plástico. O plástico já está no sal, no nosso DNA, corre nas nossas veias, enche nossas gavetas e dura muito. Como dura! Mais do que nós. Tem flor de plástico também. Pode ser transparente, colorido e de toda forma. Embalamos banana com plástico, sufocamos os oceanos com plástico, tomamos cafezinho no plástico, jogamos na lata do lixo ao milhões todos os dias , viramos as costas e vamos para o Twitter salvar o mundo. O delivery é todo plastificado, o ketchup, a maionese e a mostarda. Somos dependentes do plástico mais do que de qualquer outra droga ou produto, porque é geral e irrestrito, não escolhe classe, cor, geografia, gênero ou idade. Historicamente tão recente e em pouco tempo ficamos irremediavelmente dependentes do plástico. O plástico consagrou nossa cultura atual do descartável. A praticidade tem preço. O barato que sai caro. Mas o plástico (nos) venceu. A maior invenção do ser humano o dominou. Pelo menos até aqui.