Lusco fusco

É exatamente nessa hora que estou que ele acontece. O lusco fusco. Antes do sol se por completamente e o breu da noite tomar conta. Aquele momento em que já não enxergamos bem sem a luz artificial mas que com ela pouca diferença faz.

Um átimo de tempo apenas.

Uma hora do dia indefenida, nem noite nem dia, entediante às vezes, melancólica.

Ainda bem que passa rápido. A noite cai e parece um alívio. Todas as luzes são acesas, as de fora e as de dentro, as TVs são ligadas e nos livramos do incômodo que pode ser esse momento.

Mas o lusco fusco é uma transição. Um sinal que não percebemos hoje porque emendamos dia com noite e não toleramos a escuridão. Ampliamos o dia ao máxmo com trabalho, celular, séries…

Buscamos a luz e a atividade a todo custo até cairmos duros na cama mas sem conseguir dormir porque não fizemos a transição do dia para noite, não passamos pelo nosso lusco fusco físico e emocional, nosso corpo não foi “avisado” através do escuro, do não fazer e dos hormônios de que é hora do sono.

A gente recebe muitos sinais da (nossa) natureza, mas não queremos ouvir. Nosso sistema “produtivo” passa por cima de tudo o que é natural e a maioria está no trânsito, no transporte público, na escola ou ainda na lida nessa virada. Que bobagem tudo isso! Vamos de remédio mesmo, vamos nos arrrastando por aí até “chegarmos lá” ou para sobre-viver mesmo.

Ouvimos tudo o que dizem nos jornais, nas redes sociais, no whatsapp, mas não temos ouvidos para os insights de vários lusco fuscos que a vida nos apresenta.

Pronto. Já é noite.

A claridade hoje impera

          (e ofusca)

Mas nada é transparente

É preciso ver (n)o  escuro

aquele que faz

                  brotar semente

Vivemos na escuridão

                             de neons.

LENA

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