Saudade me define atualmente.
Saudade de pessoas queridas, várias, que perdi nos últimos tempos e de outras tantas, também muitas, com as quais deixei de conviver pela contingência deste já longo período de pandemia e por conta de encerramentos de ciclos.
Saudade de uma sensação de relaxamento, difícil hoje em dia, e daquela falta de vergonha de ser feliz (Gonzaguinha).
Saudade de querer ou não ir, o contrário de hoje, devo/convém ir ou não.
Saudade dos lugares que fui e dos que não fui.
Saudade de reclamar da falta de roupa, de ambientes cheios, do mal atendimento, aquelas coisas burguesas tão politicamente incorretas hoje.
Saudade das pequenas permissões, que precisam ser resgatadas, da leveza, e da confiança nas pessoas.
Saudade da pessoalidade, receber e dar sem encaminhar.
Saudade da esperança, do otimismo.
O risco da saudade é transformá-la em saudosismo, que é uma saudade ressentida.
Se há saudade, é porque vivi muita coisa boa. E isso alegra meu coração.
Bora viver futuras saudades possíveis.