São tantas vozes
convocações
comandos
orientações…
suba, arraste, compartilhe, vá, contribua, trabalhe, compre, assine, coma, não coma, responda, opine, pergunte, dê like, conheça, se inscreva, brigue, participe, ajude, assista, leia, se informe, organize, cozinhe, peça, ensine, acompanhe, cancele, comente.
E pra fechar, no mundo do fazer, o último comando é: antes ou depois de tudo isso, medite.
Talvez o não fazer seja a nossa redenção. A culpa nos movimenta muitas vezes.
Estamos todos exaustos, até as crianças, e nosso não fazer, sempre relativo, normalmente é fruto dessa exaustão física, mental, emocional. Só paramos quando a máquina pifa e olhe lá.
Mesmo quando não fazemos “nada”, estamos fixados na tv ou em alguma tela e nem dormimos mais. Dormir é se entregar ao não fazer. Impossível.
No mundo do fazer é tudo junto, misturado e ao mesmo tempo.
Achamos que vamos salvar o mundo de nós mesmos. O melhor para o mundo talvez fosse a gente parar. De queimar, depredar, guerrear…
Dizer que não está fazendo ou trabalhando é uma vergonha, mesmo que esteja esperando um pão crescer, uma roupa secar, uma erva brotar, uma água ferver, um texto fluir. As coisas tem seu tempo, inclusive nós, mas negamos e avançamos todos os sinais que nosso corpo dá.
Finja que sabe quem você é, o que quer, do que tem medo, o que espera do mundo, o que tem pra oferecer, qual caminho trilhar. Apenas não pare.
Atenda a todas as convocações.
De vez em quando se refugie.
Mas poste.