Entre o saber e o fazer

Então, post desabafo, a partir de uma provocação que fiz no zap da família, já que aqui é meu espaço e assim evito ficar rendendo assunto indigesto e tratando de algo que muitos não devem querer.

As festas familiares sempre me incomodaram no sentido de que poucos fazem, as mulheres, e muitos só usufruem. Sempre foi assim. Até no dia das mães, ficamos nós na pia e no fogão e os filhos e maridos refestelados. Culpa nossa? Sempre? Mamãe escreveu um livro chamado “A culpa é da mãe”.

E parece que é mesmo.

Quando questionamos, na teoria concordam, mas na prática veem muitos empecilhos e não sabem por onde começar.

Ah, mas vocês não delegam, não posso fazer “absolutamente ” nada, como se essa bolha não pudesse ser furada. É verdade, mas cômodo também, um trunfo no caso de cobranças.

Ah, ninguém vai fazer nada de moto próprio. Temos sempre que ter um CEO pra distribuir tarefas, ou uma lei mandando, ou uma ação judicial ou cruzar os braços, se recusar a fazer e passar por cri cri. Algo que é de todos, e não de uma empresa. Também é meia verdade, e cômodo também.

Quanto aos homens, se abstém até de comentar algo. Parece que esses assuntos “menores”, picuinhas de mulheres não lhes dizem respeito. Cabe a eles os grandes temas, as questões políticas e econômicas, o futebol.

Culpa da mãe? Ainda carregamos esse fardo de acharmos que falhamos porque não criamos nossos filhos para não serem machistas, como se, no meu núcleo todos não tenham pais e sem considerar que nem tudo depende de nós e que a sociedade como um todo é machista. Tô fora.

Todo mundo ao meu redor, família inclusive, é super estudado, informado, descolado, e estão bem por dentro das questões identitárias, mas estamos sempre olhando o macro, o fora, e não somos ainda (eu inclusive) capazes de nos auto observar e introjetar na vida todos esses conceitos. Teoria na prática é outra coisa. Sei que é muito difícil, a gente sempre acha que estamos fazemos o máximo. Mas ainda é muito pouco. Muitas vezes é melhor deixar pra lá mesmo. É muita coisa pra administrar. Eu mesma vivo jogando a toalha. É deveras cansativo ficar o tempo todo digladiando.

Mais tranquilo é se manifestar nas redes sociais, aderir a arco íris, tela preta, compartilhar denúncias.

Ah, mas é hora de festejar, e não de abalar o pré estabelecido. Depois a gente vê isso. Mas essa situação é igual piada, se todos não puderem achar graça, algo está errado.

E pelo o que estou vendo, essa situação seguirá ainda gerações afora.

E a culpa é da mãe.

(em homenagem à minha mãe, que sempre tentou na teoria, mas acabava sucumbindo à realidade castradora. Super te entendo, mas vai demorar ainda pra essa tal de estrutura desabar) beijos mãe.

2 comentários em “Entre o saber e o fazer

  1. Lena concordo com vc em vários pontos. Concordo com a minha mãe, A Culpa é da Mãe, que sempre faz tudo, pq é mais facil fazer do que ficar pedindo. Nao embutimos isso nos nossos filhos, pq achamos que o exemplo é uma boa forma de aprendizado. E acho que a experiencia mostrou que nao. Eu, por exemplo, realmente atropelo os outros e vou fazendo. Uma qualidade ou um defeito???? Nao sei, pode ser acomodar com a situacao e nao querer atritos. Enfim ,vamos aprendendo mais um pouco se o tempo deixar…….

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  2. Lena concordo e discordo. Como tenho mais filhos homens, eles se habituaram a fazer coisas, principalmente depois de casados. Acho que minhas noras concordam que os maridos as ajudam muito. Esse ano, então, não estou fazendo nada. Deixei para filhos, filha e noras. Elas que ponham os maridos pra frente ,não podem é bobear.

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