Até aqui foi um casamento, quase o tempo do meu casamento propriamente dito.
O casamento com uma casa de campo no condomínio Aldeia da Cachoeira das Pedras.
Um casamento repentino, não planejado, um amor à primeira vista pelo ambiente bucólico e com bastante verde, fora da cidade.
Se fosse contar aqui tudo o que vivi, experimentei, curti, ralei e aprendi naquele lugar, daria um livro, não um post.
Tudo foi intenso por lá.
O ir e vir na estrada poeirenta e sinuosa da Serra do Rola Moça com crianças pequenas. Agora asfaltada, continua sinuosa e bela.
Os encontros constantes e não menos intensos com meus pais, quando tentávamos “resolver”, em volta da mesa de café todas as questões sociais e políticas do país e do mundo, além de “filosofia” e contação de casos.
Os eventos festivos regados a muita cerveja e churrasco, na época em que a carne era a protagonista sem rival.
Aniversários improvisados e muitas comidas improvisadas, com o pouco de mantimentos que mantinha ali. Uma escola de cozinha “intuitiva”.
Muitos fins de semana e feriados com visitas, que movimentavam e alegravam os dias por lá.
As brigas internas no condomínio que renderam muitos anos de pendengas judiciais e muito stress, num lugar, pelo menos em tese, talhado para o descanso.
Caminhadas pela serra morro acima, até o tempo em que a caminhada no plano se fez mais segura e menos incômoda.
Diversas reformas e adaptações.
Muito verde, a bruma, o frio. (as alergias)
Momentos românticos com vinho na beira do fogão a lenha.
As incontáveis idas na “vila”, como chamamos Casa Branca. O supermercado do Pio, os eventos que aconteciam na Praça, restaurantes e bares que abriram e fecharam por lá num vai e vem de empreendedores aventureiros e desbravadores.
Um lugar pra dormir cedo e acordar com os pássaros. A convivência com micos, jacus, tucanos, morcegos, os verdadeiros donos do pedaço, depois das formigas claro.
Diversas tentativas de manter uma horta, um pomar, a grama, orquídeas e um lote anexo deixado pra crescer árvores e que virou uma pequena mata, meu xodó.
Muitos limões e jabuticabas. O lema “em se plantando tudo dá”, foi relativizado por lá.
Televisão presente, mas quase que só pra constar.
O abre, limpa e fecha de piscina, pouco usada como a maioria das piscinas particulares.
E assim se passaram os anos. Indo e vindo, levando, trazendo, cuidando, recebendo, curtindo.
Abstraímos dos problemas internos, os filhos bateram asas, meu pai faleceu, minha mãe adoeceu, a família se multiplicou e quando achávamos que ficaríamos por lá de vez, resolvemos dar uma pausa.
Outra família vai, por um tempo, viver sua história na nossa casa.
Soa estranho. Sim, todos indo e a gente vindo.
As motivações são várias, os questionamentos muitos, as discussões pra tentar salvar o mundo ficaram virtuais, todo dia o dia todo, filosofia em lugar nenhum, mas assim é e por hora quis apenas registrar nesse meu espaço flashes desse longo relacionamento. A melancolia já teve seu momento, mas há mais o que desbravar. Veremos.

Parabéns pelo texto.
Um até breve com saudades dos momentos agradáveis que participei
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Quanta nostalgia do nosso Domingo de Aldeia! Quantas lembranças e saudades! Não sabia dessa pausa! Mas independente do tempo necessário, o que foi vivido e sentido, nunca se apaga!
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