Maternar

Num rompante de melancolia, me pus a viajar nos meus álbuns de fotografias.

Me dei conta que nas fotos dos meus filhos quando pequenos eles quase sempre estavam acompanhados dos primos, tias, tios, avós, cuidadoras, amigos, pais, seja em eventos, seja em casa.

Entendi então que nenhum filho é filho de uma mãe só, desculpe Freud, vou compartilhar as culpas.

Minhas irmãs, cunhadas, amigas tiveram filhos na mesma época que eu. Portanto, ficou tudo junto e misturado. As alegrias, as angústias, os medos, as conquistas, tudo foi compartilhado.

Das avós sempre vem aprendizados que achamos defasados e vamos agregando as novidades, num tatear nesse universo desafiador do maternar.

Cada mãe viveu sua realidade e seus próprios desafios, mas tivemos as questões comuns da nossa geração.

Há aquele conflito também entre nos ouvir, ouvir a coleguinha, as que vieram antes de nós e as atualizações científicas e pedagógicas num mundo em eterna mudança. Ufa.

Portanto, maternidade, mesmo sem percebermos e mesmo não tendo apoio, seja público seja privado, é uma rede.

E entender isso nos tira um peso que às vezes nos forçamos a carregar. Nossos erros e acertos não são só nossos, chega disso.

Não somos heroínas nem deusas, como insistem em mostrar as propagandas, e carregar esse rótulo só perpetua essa sobrecarga e esse permanente lava-mão de outros agentes da educação de uma criança.

Ser mãe é um eterno confiar. Quem não confia, sofre mais e tende a carregar mais culpas.

Sinto que confiei na rede que esteve à minha disposição quando tive meus filhos.

E agradeço demais.

Me doei muito, nada é sem sacrifícios, dúvidas e cansaço. Isso não se pode deixar de reconhecer.

Nossa responsabilidade é linda e gigante. E são muitas alegrias também.

Mas sei que também sou mãe de outras crianças que cresceram junto com meus filhos e meus filhos também tem outras mães. Como dizem por aí, “é muito amor envolvido”

Parabéns a todas nós!

E obrigada meus filhos, por me ensinarem tanto.

Deixe um comentário