Ser mulher é…

Quanto mais envelheço mais fico confusa, perplexa, e indignada com a condição da mulher.

Desde sempre, e em qualquer fase da vida, tudo a nosso respeito é problematizado, vigiado, observado, julgado por todos, até por nós mesmas.

Da menstrução à maternidade, da batalha por espaço, reconhecimento e remuneração profissional ao direito ao envelhecimento.

Da sobrecarga de demandas, às tristes estatísticas de feminicídio que são noticiadas, com a “singela” chamada: ele não aceitou o fim da relação. Simples assim.

No oriente médio, mulheres ainda lutam pela liberdade de mostrar seus rostos, ter sua vida em pleno século XXI

Observo que além disso tudo, ainda temos que carregar bandeiras o tempo todo.

Militância no outubro rosa, expondo as dores e mutilações de um câncer de mama. (algum homem expondo seus tratamentos de câncer de próstata no novembro azul?), militância da amamentação, do empreendedorismo, da maternidade real e da maternidade tardia, do aborto… e por aí vai.

Não há descanso: da gangorra hormonal em que vivemos, da pressão estética a que nos submetemos e somos submetidas do eterno estado de luta em que somos colocadas, e ainda somos chamadas de guerreiras, como forma de elogio.

Feministas são chamadas de chatas, feias, bobas, cabeludas, mal amadas…

Uma mulher sozinha não é apenas uma mulher sozinha. É alguém que procura, que está incompleta.

No quesito menopausa, o universo que habito atualmente, o assunto ganha proporção à medida que vamos aumentando a expectativa de vida e a população vai envelhecendo. E a confusão já está instalada. São tantos sintomas, que é difícil separar o que não é provocado por ela.

Uns dizem que podemos ter “vida normal”, se fizermos isso, aquilo, aquilo outro, mais aquilo. E quando há parceiro na jogada a empreitada complica mais, porque são analfabetos deles próprios, que dirá de nós?

Avançamos, claro. Mas sempre há risco de retrocessos também dependendo do governo de plantão, de várias circunstâncias políticas e do arraigado sistema patriarcal. Os homens ainda legislam sobre temas que nos dizem respeito, se consideram os defensores da família, mesmo sendo especialistas em abandono parental.

Mas a maior luta teria que ser o direito à vulnerabilidade, ao colo, ao choro, a descabelar e sair da linha sem ser taxada de histérica, sem a gente sentir ressaca emocional e culpa depois.

O assunto é complexo, polêmico, profundo, mas não dá pra simplesmente chamar de mimimi ou vitimismo, e esse post é apenas um desabafo.

Falo da minha experiência, das minhas observações, leituras, do convívio com mulheres em todas as faixas de idade.

O único conselho que daria para outra mulher: descansa sempre que der.

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