Quem tem?

Sempre que alguém chegava falando algo parecido com “tem que, precisa fazer isso ou aquilo”, minha mãe dizia: qual o sujeito da frase? Quem tem?

Tenho observado isso com relação à questão ambiental e da crise climática. Muita gente que considera o problema, porque há quem não acredite nele, diz “tem que ou precisa disso ou aquilo”.

É preciso acabar com a desigualdade, com o racismo, é preciso esgoto, incentivos, penalidades, políticas públicas, um mercado realmente engajado e não apenas maquiando produtos e embalagens, menos consumismo. Muitas iniciativas são necessárias, não só encontros e apertos de mãos.

Mas qual o sujeito da frase?

Nós, tu, eles, governos, empresários, ongs…

O que mais vejo são pessoas que muitas vezes não fazem nada, desqualificando quem faz.

“Individualmente nada resolve, cirandeiras, alívio de consciência, é pouco, não significa nada, não é assim que faz”.

De novo, quem tem então? Quando?

No livro que estou lendo, “nós somos o clima” o autor diz que é difícil mesmo um ativismo conceitual.

Se temos um vírus, como o do Corona, a ação é imediata, específica, a ciência já tem um caminho e mesmo assim tivemos diversos percalços e embaraços negacionistas.

Mas um tema como a crise climática, ligar lé com cré, fazer mobilização diante de uma calota de gelo deslocada ou uma floresta distante de nós é complicado. As cidades alagadas, são só cidades alagadas.

Vivemos um imediatismo e um boom de acesso a coisas num click, a custa de muita degradação, trabalho escravo, e descarte indevido.

Mas é aquela história, o que os olhos não veem o coração não sente.

Vai precisar doer no bolso, talvez? Melhor deixar pra lá?

Hoje me inscrevi num projeto de coleta de resíduo orgânico. Vai dar um trabalhinho, mas me sinto motivada apesar de tudo, principalmente pelo empenho e entusiasmo das pessoas envolvidas nele.

Tem hora que dá vontade de desistir de qualquer iniciativa

Sei que há uma grande responsabilidade dos governos, das prefeituras, dos condomínios, dos empresários e muito pouco está sendo feito ainda.

Mas não tem jeito, quando a informação chega e bate, não tem como dar as costas. Me lembro dos que estão vindo por aí, Serenas, Leos, Joãos, Davis, Naras.

Vou agregando novos hábitos e hábitos significam que aquelas ações estão no automático e tento ser um sujeito da frase dentro do que dou conta, acredito e está ao meu alcance fazer.

Viu, mãe?

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