Oi!! Você por aqui? Tudo bem?
Sim, tudo bem. Mesmo.
Sem problemas, sem perrengues?
Com problemas e perrengues, mas neste momento está tudo bem.
E você?
Naquela correria de sempre e de todo mundo, né?
Eu não tô correndo não. Estou no ritmo daquela música, sabe?
“Ando devagar porque já tive pressa…” não assumo mais compromissos do que a minha vontade, capacidade e necessidade.
Sei, mas os boletos né?
Nem sempre é pelos boletos que a gente corre tanto, é inventação de moda mesmo, dificuldade em dizer não, necessidade de agradar, sei lá.
Humm. Menina, o mundo está muito doido, né? Nem tenho dormido direito mais.
Nossa, eu durmo muito bem. Inclusive, sonho bastante. Ontem, por exemplo, sonhei…
Tá, outra hora você me conta seu sonho, estou na correria mesmo. Bom saber que você está plena e feliz.
Quem disse que sou feliz? Não te contaram não?
Felicidade é igual Papai Noel. Não existe. É invenção pra deixar a gente nesta busca insana, colocando prazer nas coisas enquanto ela não “chega”. Adoecendo de stress de tanto correr sem saber pra onde e não entender que angústia, tristeza e frustração também fazem parte da vida.
Mesmo porque felicidade, diferente de autocuidado, é algo que envolve o coletivo também.
Mas você não se importa?
Importo muito. Mas correr freneticamente e estressar não significa necessariamente se importar. Ao contrário, estamos nos acabando e acabando com o mundo de tanto viver no automático e não saber o que realmente queremos e o que é mesmo importante fazer.
Colocar o mundo nas costas é muito peso, né? Devemos estar cada um com os pés no chão, fazendo nossas escolhas, respondendo por elas e caminhando simbólica, afetiva e efetivamente lado a lado, olhando não só pra frente, mas em volta e de mãos dadas para o caso de alguém tropeçar, assim não pesa pra ninguém.
Mas então…senta ai, vamos tomar um café e me conta seu sonho…