
Da louca dos vidros, virei agora a louca dos paninhos também.
Explico: desde que assumi a empreitada de evitar descartáveis, filme plástico, lenços cheirosos e afins, me peguei em um caso de amor com paninhos. Que limpam de um tudo, embrulham, cobrem, enfeitam e outras tantas utilidades.
Lisos, estampados, de preferência de algodão, encerados, tamanhos variados, e podem ser aproveitamentos de peças usadas e devidamente cortadas também.
Ah, mas que bogagem, podem dizer! O mundo acabando e você falando de paninhos?
Sim, quando a gente sai da mentalidade do descartável, as coisas ganham outro valor, outro cuidado.
O descartável gira em torno da quantidade, da praticidade e do desleixo.
As crianças hoje, por exemplo, as que podem, claro, tem invariavelmente o baú ou a caixona de brinquedos que é despejada no chão quando vão brincar. E ainda assim ficam logo entediadas e normalmente são apegadas a poucos brinquedos. Todo aquele colorido, aquele excesso de estímulo agita mas não entretem… assim vejo. E são logo descartados, poucos são tratados com zelo.
Da mesma forma nos objetos de casa. A gente acostumou lá trás, hoje talvez não, a ter jogos de louças, copos, talheres, tudo emparelhado e muitos. Se quebra um exemplar, parece que todo o conjunto se perde.
Outro dia, fomos comemorar o aniversário da minha irmã Nês numa cafeteria e ela comentou comigo que estranhou aquelas xícaras e louças todas desemparelhadas, nada combinando com nada. Natural, já que acostumamos a descartar uma xícara se ela não tem mais seu pires correspondente.
Mas é uma tendência. Misturar coisas, estampas, juntar peças avulsas. Está valendo para todo tipo de decoração, para “looks” de roupas e afins.
Menos, significa mais cuidado, aprendi.
Quando estamos numa festa com tudo descartável, logo perdemos nosso copo e pegamos outro depois de tomar dois dedos de refri. Os pratinhos se multiplicam na lixeira, ninguém segura para um eventual repeteco. Quando as louças são de “verdade”, há um limite. Podemos tomar conta do nosso copo, identificá-lo, usar o prato mais de uma vez.
Ah! mas paninhos e louças tem que ser lavados. Que trabalheira. Sim, que trabalheira. Que pode ser simplificada com colaboração de todos o envolvidos da casa, com uma bacia de água com sabão para deixar de molho e eventualmente com o suporte luxuoso ou não tão mais luxuoso assim de uma máquina de lavar louças ou roupa. Porque não alugar também? Pedir emprestado. Há alternativas.
E extrapolando a questão para nossas relações, para a vida, podemos ver o que parece óbvio, mas nem tanto. Que ninguém é igual, ninguém pesa igual, ninguém tem a cor igual, ninguém veste igual, ninguém tem a mesma idade, ninguém pensa igual, ou não deveria, todos temos limitações, uns mais dos que outros, mas podemos formar um mosaico bem bacana de diversidade.
Somos desemparelhados, mas formamos grupos. Temos asas quebradas, mas que podem sem coladas com empatia e afeto, podemos por em evidência aqueles que estão no fundo dos armários sociais, respeitando todas as culturas e diferenças. Ninguém é descartável.
Por isso que acredito que paninhos, roupas, louças, brinquedos, animais, pessoas, natureza, tudo tem seu valor intrínseco que nossos sistema teima em colocar em escalas verticais de importância, ou desprezar e até aniquilar. E me vejo fazendo isso diariamente, por atos e omissões.
E neste mundo de excessos, de muito e de pouco, temos que resgatar a palavra cuidar.
Cuidado deveria ser o mantra do momento.
Paninhos, quem diria…
Excelente texto.
Reaproveitar, reciclar, consertar, restaurar.
Isto é respeito ao meio ambiente!
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