Finados

Foi notícia estes dias o falecimento do filósofo e poeta Antônio Cícero. Mesmo quem não o conhecia, ficou sabendo sobre como ele se foi.

Diagnosticado com Alzheimer há uns anos, percebeu como sua vida ficou insuportável e, ainda lúcido, decidiu fazer suicídio assistido na Suíça. Ele pode se despedir de pessoas queridas, visitar lugares que gostava na companhia de quem amava. Um luxo pra poucos, se é que podemos falar isso da morte.

A morte é um tabu pra nós ocidentais, pelo menos, acho. Algo a ser evitado a todo custo, E às vezes a custos altos financeiros, emocionais e físicos mesmo.

Mas qual é o limite? Qual é a autonomia da pessoa pra escolher até onde ir diante de uma doença grave ou incurável? Até onde o Estado, as famílias ou a religião podem controlar a vida e a morte das pessoas?

A gente passou por uma pandemia que levou de roldão milhares de vidas diante de nossos olhos atônitos. A morte nos rondou e rondou todos os lares. Mas ela está sempre à espreita, com ou sem eventos deste tipo.

Diariamente vemos a vida de milhares de pessoas serem ceifadas com guerras, fome e doenças evitáveis. Muitas, crianças que deveriam estar apenas brincando e sonhando. Mas vamos ficando anestesiados e achando que só a nossa vida importa.

Portanto, vida e morte são mistérios, por mais que achemos que desvandamos tudo.

Porque uns desfrutam de uma vida longa e outros passam como um cometa ou uma estrela cadente?

Nunca vamos saber.

Não dá pra falar de morte sem falar da vida. Uma não existe sem a outra.

Portanto, vida e morte importam.

Como viver e como morrer importa igualmente.

Podemos e devemos celebrar a vida e reverenciar aqueles que se foram.

Talvez seja a morte é que dê sentido à vida.

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