Escrevo este post às 6 da manhã, com o sol já a pino como se fosse 10 horas.
Não sairá daqui um texto fofo típico de final de ano e festas natalinas.
Aviso para quem quiser parar por aqui.
O que assistimos em 2024 foi uma escalada de guerras e violências de toda sorte.
Não que elas já não existissem, mas agora parece que sucumbimos a elas.
Não respeitam mais tratados, acordos éticos, como se isso fosse possível numa guerra e não há interesse real em estancá-las. Atacam hospitais, matam crianças, estupram mulheres, boicotam as ajudas humanitárias e não há diálogo possível. Saem ditadores, entram terroristas.
Todo dia eclode um conflito que se agrega a outros que nunca terminam.
Vivemos uma realidade de violência institucional e policial sem precedentes, defendida por muitos que acham que uns merecem morrer, para outros curtirem em paz seus privilégios.
Uma mulher é morta a cada 10 minutos, dizem as pesquisas, fora estrupros e abusos de toda espécie.
Assistimos a uma guerra entre gêneros, que hoje são muitos.
Os eventos climáticos extremos viraram uma violência diária, e sobre eles só se vê cúpulas, encontros e apertos de mão e pouco ou quase nada de concreto é realmente feito.
Bora de ar condicionado, enquanto houver energia.
A política deixou de ser espaço de avanços sociais e virou balcão de negócios e de polarização. E não é de hoje.
Somos violentados pela indústria alimentícia, que nos fornece rações e plásticos, nos tratando como crianças mimadas que realmente somos.
Vivemos viciados em um refrigerante que suga nossa água potável, nossa saúde e enche o planeta de plástico, faz propagandas fofas no Natal e embora corroa nossos ossos, a empresa costuma patrocinar eventos esportivos, olhe só.
Doses cavalares de agrotóxicos nos alimentos já é normal. Que lutem os animais, os produtores, e a gente mesmo.
Com tudo isso, ficamos reféns da indústria farmacêutica que lucra horrores com uma população doente, do 0 aos 90 anos, física e mentalmente. O sistema de saúde explode entre lucros e incapacidade de atendimentos.
As redes sociais viraram ringues, palco de fake news, aproveitadores, coachs, igrejas e pastores e influenceres ganhandos rios de dinheiro à custa de… nada. Da nossa atenção e inveja.
Aliás, foi o ano dos influencers e do nosso cansaço em relação a eles também.
As bets entraram com tudo para sugar ainda mais recursos de pessoas e famílias, vendendo ilusão. Com todo tipo de gente e empresa fazendo propaganda sem o menor constrangimento.
Mas foi o ano da introdução oficial da Inteligência Artificial nas nossas vidas, nas rodas de conversas, prometendo mundos e fundos.
Bem vinda IA. Faça bom proveito com nossos cacos. Quem sabe não está nela a tábua de salvação da humanidade?
Mas meus pais já diziam. Ciência e tecnologia sem “humanidades”, sei não.
Se tenho esperança?
No momento, bebo pípulas homeopáticas de esperança. Agora, por exemplo, torço e me regogizo com o sucesso de Fernanda Torres, pelo conjunto da obra e pelo belíssimo filme de Walter Salles. Que venha o Oscar e se não vier, tá bom também. A obra já deixou seu recado e me proporcionou sentir num filme o que não sentia há muito tempo.
Que a gente sinta mais em 2025, se a IA deixar.