Culinária, alimentos e sistema

Meu algoritmo me abastece de receitas culinárias. E o que tenho mais visto são preparações “rápidas”, “poucos ingredientes”, que são basicamente leite em pó, ovos, whey, banana e iogurte grego.
E atentando para alcançarmos a “meta de proteína”.
Fico chocada percebendo que a alimentação virou se abastecer de nutrientes ao sabor da linha nutricional seguida pelo cliente.
Por outro lado temos a gourmetização promovida por chefs, nos propondo “experiéncias”, a altíssimo custo, mesmo que a proposta seja utilizar produtos locais e de pequenos produtores.
Faço aqui generalizações, claro.
Mas estamos deixando de lado que alimentar-se- é mais do que isso, do que contar calorias, para quem tem acesso, óbvio. Há cultura, história, sazonalidade, aproveitamento integral dos alimentos, evitar desperdícios, aditivos, embalagens.
A onda das últimas décadas de alimentos processados, se de um lado liberou parcialmente as mulheres da cozinha, criou uma geração ou mais de pessoas alienadas do processo produtivo do alimento, que não conhecem e nem querem saber de alimentos frescos.
Por isso vejo com imensa tristeza notícias de alimentos sendo jogados fora porque não alcançaram preço de venda.
Sofro por quem produz, sofro por quem deixa de comer.
Um sistema desses não tem razão de ser. Um sistema que prioriza com indulgências o grande produtor e exportador de commodities, que permite que empresas de refrigerantes suguem nossa água pra produzir xarope químico e plástico, que permite indústrias nos empurrarem pseudos alimentos com bulas, sal, açúcar e gordura,cores e propagandas sedutoras.
A emergência climática está aí deixando sua conta.
E a gente jogando o que ainda se produz, fora.
Sistema falido esse nosso.

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