Não encontro nada para dizer sinto a palavra gasta, cansada, superfaturada Leio e ouço as palavras nas redes, nos portais, como um tiroteio um bombardeio na verdade De certezas, credos, ofensas, análises, mensagens edificantes, elogios em likes e emojis, textos não lidos, reposts, fundos musicais irritantes Intoxicação verbal Há os livros, ah, os livros! Esses… Continuar lendo Cansaço verbal
Imperativos
Levante da cama com um propósito. Mova-se. Coma comida de verdade. Ame o próximo, mas ame-se primeiro. Produza, descanse, medite, viaje, durma, leia, faça tudo pelos apps, largue o celular, não telefone pra ninguém, relacione-se, pratique a solitude, abra a relação que vai ficar bom, faça trabalho voluntário, é cada um por si, seja autônomo,… Continuar lendo Imperativos
Eu tenho um sonho
Sou nascida e criada na cidade, numa típica família burguesa de muitos filhos, com as oportunidades possíveis na época. Como típica burguesa mineira, também tenho uma casa de campo pra arejar da cidade, respirar e andar na natureza. Hoje, com a casa alugada por decisão que levou em conta muitas coisas, tenho um distanciamento pra… Continuar lendo Eu tenho um sonho
A tal zona de conforto
Na minha sala de TV tinha um sofá que meus filhos odiavam. Ele era mais estruturado e eles diziam que não servia pra pra assistir TV, apenas pra receber visitas. Na pandemia, confinados em casa, resolvemos investir em um sofá “confortável” pra esta sala, Retrátil, com encosto que regula alturas. E é óbvio que caiu… Continuar lendo A tal zona de conforto
É o fim da subjetividade?
Então…nem sei por onde começar. Estes dias, entre as dezenas de tretas que rolam diariamente, está no top trending o livro “bobagens”, da cientista Natália Pastermark, em que ela e o coautor desbancam as chamadas pseudo ciências, colocando no balaio a psicanálise. E virou um alvoroço. Não li o livro e não venho aqui defender… Continuar lendo É o fim da subjetividade?
Aleatoriedades
Como pode o óleo virar sabão que tira óleo? Uma faca bem afiada é (quase tudo) na cozinha, que a Shein não me ouça. Toda família é em alguma medida disfuncional. E isso não é necessariamente ruim. Difícil é reconhecer. Cresci ouvindo falar em inteligência emocional e estou envelhecendo sob a égide da inteligência artificial.… Continuar lendo Aleatoriedades
Mimimi
Há um tempo atrás, entrei num ônibus, e minutos depois, comecei a sentir um cheiro muito ruim. Ruim de verdade. Fiquei tentando identificar e não demorou pra eu ver que o jovem sentando ao meu lado tinha aberto um saco de qualquer coisa amarela e começou a comer distraidamente. Até hoje penso. A que ponto… Continuar lendo Mimimi
Tempo, tempo
Há o tempo de fazer e o de comprar pronto o tempo de ir e o de ficar há o tempo de rir e o tempo de chorar o tempo de avançar e o de recuar Há o tempo de dizer e o tempo de silenciar De tempos em tempos mudar a marcha e a… Continuar lendo Tempo, tempo
Tempos líquidos
Querido diário, Então. Estamos mesmo vivendo tempos líquidos. Nada mais é pão pão, queijo queijo. Tudo tem nuances, muitos tons, dissonâncias. Isso vale pra questões de toda ordem. De gênero, de relações afetivas, familiares, institucionais, pessoais, culturais. Saímos do útero quentinho e de cara somos jogados em experimentações, modas, neuroses, agulhadas. Querem que a gente… Continuar lendo Tempos líquidos
Que mãe sou eu?
Me considero uma mãe amorosa, acho do meu jeito Fiz as escolhas que dei conta de bancar Me alegrei demais e me alegro ainda me frustrei muitas vezes Chorei e me emocionei muito também Tive medo, insegurança Briguei com meus filhos e com o mundo pra dar exemplo Vivi conflitos internos Equilibrei pratos como toda… Continuar lendo Que mãe sou eu?