Tem um movimento interessante e necessário ganhando força atualmente: o minimalismo (lowsumerism). Já há documentários na Netflix a respeito (Minimalism, The True Cost), e várias jovens Youtubers divulgando e praticando. Mais um “ismo” modinha? Não sei. De qualquer forma, faz sentido.
Somos educados pra fartura. Mesmo quem tem pouco acesso ao consumo, tem em mente que não basta ter, tem que ter muito.
Muita comida, “melhor sobrar do que faltar”, muita roupa, muitos cosméticos, muitos sapatos, muitas bijus, muitos perfumes, muitos sonhos…
É o capitalismo, cara pálida!
Mas muita gente está caindo na real de que não vale a pena se matar de trabalhar pra ter tanta tranqueira, que a Terra não comporta tanto lixo, que importa saber como são feitos os produtos que compramos, quem produz o que comemos e do que realmente precisamos.
E nisto o capitalismo está sendo desafiado a se adaptar. Compartilhamentos, coworking e economia colaborativa já são realidade. É tendência hoje vender mais experiências do que produtos.
A gente vive com o “olho maior do que a barriga”, faz muita compra por impulso, arrepende ou se endivida, vicia em comprar, tem que estocar pra se sentir seguro e tem que estar antenado com as novidades, mesmo que elas sejam “vintages”.
Alguns já dizem: é hipocrisia e muito fácil pra quem tem pregar desapego e frugalidade. Não, não é fácil. Bancar qualquer escolha pessoal é difícil quando o massacre social é intenso e beira a uma lavagem cerebral. Dizer que não quer chega a ser uma afronta. E quem tem pouco sofre porque cria a expectativa de que só será feliz quando tiver tudo que o mercado consumidor diz que ela merece. Ninguém prega uma vida franciscana ou de consumo zero, só um pouco de lucidez e consciência.
É grande a pressão consumista, pouca grana pra maioria e muita necessidade de pertencer.
Pouco nem sempre é falta. Pode significar menos stress. Já notaram a dificuldade de se escolher um simples shampoo? Imagina isso em tudo que compramos? Além disso, a obsolescência programada é realidade e não teoria da conspiração.
Ter pouco pode ser uma ambição desafiadora, porque implica em nadar contra a maré. Tem o bônus de instigar a criatividade, ter olhar pra outras atividades e talentos, e uma vida mais leve, menos no automático e por vezes mais descomplicada.
Sei de gente que tem muito e nunca acha suficiente e gente que tem quase nada e consegue partilhar bastante do que tem.
Fartura, portanto, nem sempre é abundância.
Abundância é inerente à natureza, fartura é criação nossa a partir do medo e da insegurança.
Ter menos não garante que outros deixem de passar fome, infelizmente, nem consumir muito garante uma economia que agasalhe todo mundo. Esta equação político/sócio/econômica é mais complexa do que isso, a gente já sabe e ninguém ainda encontrou a solução.
Mas o minimalismo talvez colabore, individualmente, como um exercício interessante de autoconhecimento e socialmente porque pressupõe mais abertura para o coletivo e um olhar mais empático com as pessoas e o ambiente à nossa volta. Aprendemos o real valor de cada objeto, cuidamos mais do que temos, descartamos e desperdiçamos menos e tiramos essa identificação que criamos com as coisas.
Pode ser mais uma modinha pra gente “comprar” ou aderir, mas pode ser também um novo paradigma. Veremos…

Seus textos sempre maravilhosos!!!!! Parabéns, Lena!!!!! ❤ ❤ ❤
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Tenho visto muitas entrevistas sobre esse assunto. Muita gente tem deixado o trabalho para procurar outra coisa, para ser mais feliz e consequentemente desapegado de bens materiais. É um trabalho árduo e penoso já que estamos impregnados pelo Consumismo.
Talvez com a idade isso seja mais fácil de aplicar. Tenho tentado mas ainda estou presa a uma lojinha de sapato!!!!!
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