Malas

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Sempre que planejo viajar, me pego com preguiça de fazer as malas. (Quem não?) Talvez porque fazer malas tenha um significado: escolher o mínimo para nosso conforto, é lidar com a insegurança de não saber se estaremos de acordo com o lugar, é desapegar nem que seja por um período, do atulhamento de nossas vidas diárias.

Fazer as malas é o gesto simbólico da vontade de sair da acomodação, de experimentar o novo, improvisar, ver novas paisagens, vivenciar outras culturas, sotaques, assuntos e visões de mundo. Sacudir a rotina e nossas convicções, afinal.

As malas representam a provisoriedade, mostram que  nossos excessos podem ter um preço, e que, mesmo às vezes incômodas, podemos colocar umas rodinhas e deixar fluir.

Fazer as malas é também deixar para trás pessoas queridas e  relações esgarçadas com o atrito diário, é cerzir com o distanciamento os abismos que se abriram.

Elas vão cheias e voltam mais cheias ainda: carregam mimos, lembranças do lugar e também novas ideias, ares novos que enchem a alma e o espírito de energia.

Desfaço minhas malas com a mesma preguiça e penso: como é bom (poder) voltar.

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