Cozinhando e aprendendo…

A cozinha é um mundo…uma escola…e meu tema preferido, como já dá pra perceber…

Conversávamos na casa dos meus pais sobre grade curricular, o interesse dos alunos para além dos smarts etc..

Daí que, aproveitando o gancho, mesmo não entendendo quase nada de pedagogia,  embarquei numa viagem enquanto descascava meus legumes.

O que se aprende quando se aprende a cozinhar?

Aprende-se sociologia, economia e história, por exemplo: de onde vem o que comemos? Como são produzidos os ingredientes do meu prato? Quem os produz? O que é sazonalidade? Porque um dia o tomate está caro e em outro está barato?  O que há além e nos bastidores do delivery, drive thru ou dos aplicativos? Tem gente por trás? Quem são? Queremos saber?

Porque na minha casa tem alguém  que sempre faz a comida? Porque geralmente é uma mulher? Quem é “chef” quem é cozinheir@?

Quando e porque criamos a cultura das domésticas? Porque geralmente são mulheres e negras? Onde moram e o que comem onde moram? Quem faz as marmitas do dia seguinte depois que  todos chegam em casa do trabalho?

Aprende-se  química, física e biologia também: qual o fenômeno que acontece quando se fermenta um pão?  O que acontece no processo de brotação de uma semente? O que significa a cor e a forma dos alimentos? E seus elementos: gordura, proteína, carboidratos, etc…Tá com bolor? o que é isto? Sei quando está vencido apenas pela data de validade carimbada?

Seguimos para a matemática: seguir uma receita é uma aula de porcentagem, proporção, regra de três: 300 gramas disso, 500 daquilo… 3 ovos, preço: um quilo é x, meio quilo é y e segue o jogo.

Passamos agora para as questões relacionais: fazer a comida juntos, dividir tarefas, compartilhar o resultado, incluir todos no processo e cada um com seu talento, sentir o trabalho que dá, lavar a louça e principalmente não transformar este momento num campo de batalha, de suar frio e de competição. Acho que já deu.

Temos ainda as sutilezas: cozinhar estimula os sentidos: o olfato (ih, queimou!), o tato(as texturas dos ingredientes) , o paladar (gosto disso, não gosto disso), o visual, por fim.

A intuição e o auto conhecimento:  olhar  para um ingrediente e outro e experimentar. Sem medo.

Se a gente se alimentasse e não apenas comesse para parar em pé e para compensar sei lá o quê, repetindo padrões ou seguindo regras e contagens de calorias sem nos perceber, apenas com fórmulas pré e pós treino, talvez comêssemos menos, agradeceríamos mais e não precisaríamos de tantas dietas.

Sentar, mastigar e agradecer…uma maçã que seja. Às vezes apenas uma maçã ou uma porção de fruta qualquer é suficiente e nem nos damos conta e sofremos porque não temos tempo de cozinhar o que nos mandam ou o que está na moda fazer.

Arrisco dizer que privamos nossas crianças de um grande aprendizado. Uma pena.

E então pousei da minha viagem com o arroz esturricado na panela…

 

 

 

 

 

 

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