Nossos machados estão cegos?

“Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado” provérbio

Gosto desta metáfora do machado. Serve para várias situações da nossa vida pessoal e social. Corremos, fazemos, corremos, fazemos, e muitas vezes nos esquecemos de amolar nossos machados. Ficamos literalmente “catando cavaco” e dando machadadas a esmo.

Ela me ocorreu agora por conta dessa batalha que estamos enfrentando com os mosquitos. Era um, agora são vários, inclusive o da febre amarela, com alto grau de letalidade. E seguimos só remediando, ou nem isso.

Estamos correndo atrás do prejuízo? Estamos amolando o machado para nos perguntar porquê? Talvez as respostas sejam incômodas. Talvez as respostas nos obriguem a sair da nossa zona de conforto. Ou talvez tenhamos que ser humildes e reconhecer que não temos respostas prontas. Logo nós, que estamos “no topo” da cadeia darwiniana, nocauteados por mosquitos?

Corro o risco de ser pretensiosa em abordar um tema tão complexo, num país gigante como o nosso, com tantas variáveis e onde não cabe um só caminho, uma solução. Mas talvez tenhamos que reconhecer, por exemplo, que é bom negócio investir em saneamento básico, e Educação de pessoas integrais e não só acumuladores de conteúdo . Oh!!!

Como assim? No meu bairro já tem! Minhas prioridades são outras! Pois é. Mas infelizmente mosquitos, ao contrário das pessoas, não respeitam as demarcações sociais que criamos.

(E vamos combinar que aquelas baforadas nas ruas cheias de lixo chegam a ser ridículas.)

Mas não se preocupe: ninguém vai te chamar de comunista por querer para outros algo que você já tem. Ninguém vai achar que você está preocupado com as milhares de crianças que ainda vivem e brincam no esgoto a céu aberto e morrem com outras doenças. Ninguém vai te chamar de antidesenvolvimentista porque afinal, temos que estar vivos para desenvolver qualquer coisa e se ainda carregamos uma agenda do século retrasado inconclusa, que impacta em tantas outras, fazer o quê? (50% da população brasileira ainda não tem acesso a saneamento). É só dizer para seu candidato que a preocupação é com você e sua família e vai ficar tudo bem.

Cria-se histeria nas redes sociais, dissemina-se a necessidade de se comprar um repelente específico, logico, caríssimo (alguém ganhando ou nos enganando com nossas mazelas), ameniza-se o problema só para os que tem grana, como sempre, e todo ano a confusão se repete, o problema fica mais grave e complexo, autoridades e especialistas batendo cabeça e o machado cego.

Não sou cientista, nem expert em nada, e falo da bolha social em que vivo, mas qualquer pessoa medianamente informada sabe que saneamento básico, educação, redução e tratamento adequado do lixo e dos resíduos industriais, um mínimo de sanidade ecológica, ao menos minimizam problemas de zoonoses e diversos outros, e nossos cientistas ganham tempo para desenvolver os antídotos tão necessários.

Eleições batendo às nossas portas e embora a gente acredite que elas são tudo o que temos e o único momento de amolarmos os machados, muita coisa além deste problema depende de nós e precisamos acreditar nisso.

Um comentário em “Nossos machados estão cegos?

  1. È Lena, e em vez de afiar o machado o governo prorrogou o prazo para que os municípios acabem com os “lixões” e a população que reclama dos governos (com razão ou sem) continua jogando lixo nos córregos, nas bocas de lobo “Um papelzinho só não faz diferença, uma binga de cigarro só não faz diferença, varrer o lixo de sua porta para dentro do boeiro não faz diferença”. E assim vamos caminhando, cercados de lixo e de mosquitos.

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