Dentro de um táxi ou “aplicativo” um dia desses: “olha só, fecharam a praça para reforma. Com tanta coisa pra gastar, vai gastar com praça”.
Entre o que ouço por aí e o que eu elaboro, tem sempre um “delay” de alguns dias…
Praças, muitas praças, cada vez mais praças…
Nós e os candidatos principalmente em época de eleições ficamos bradando: só a educação salva, educação de “qualidade”, bla, bla, bla…
Só que temos uma visão estreita de educação. Acreditamos que educação é só o que acontece eventualmente dentro de casa e dentro dos muros analógicos das nossas escolas. A gente quer que a escola seja inclusiva, quando a inclusão não acontece da porta pra fora.
E estamos vendo que frequentar boas escolas não é garantia de civilidade e de formação de bons cidadãos.
Espaços públicos são educativos, permitem a con-vivência, desenvolvem o senso de cuidado, de entender que o que é público é meu e é de todos. Espaços públicos ocupados diminuem a violência, já há evidências sobre isso. Tiram as pessoas das suas bolhas, abre espaço para cultura, atividade física, trocas, sol, alegria…
Na praça que frequento para caminhar observo que há muitas crianças. Mas no dia a dia depois dos 4 anos mais ou menos elas dão uma sumida. Começam a cumprir agendas e passam a não ter mais tempo pra seguirem “se educando nas praças”. No fim de semana tem uma folga pra lazer, como os adultos.
Portanto, caro motorista, vamos sim gastar com parques e praças bem iluminadas, vamos abrir as ruas para as pessoas, e estimular toda e qualquer atividade aberta ao público, sem áreas VIPs, sem medo do outro. Não custa tão caro, e vamos economizar com hospitais, remédios e aparatos de repressão policial.
# Fica a dica, caro político…
“Ficar em silêncio e caminhar são hoje em dia duas formas de resistência política”
David Le Breton, sociólogo
Leninha Muito pertinente. HVB
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