Resetando

E o computador deu pau. O aplicativo travou. A orientação sempre é:  resetar ou reiniciar. 

A gente também dá pau. Trava. Surta. Sofre.

Vamos ficando tão cheios de máscaras, cobranças externas e internas, lambadas da vida, indignações, cansados de fazer bonito pros outros ,  tudo vai pesando, e precisamos reiniciar nosso sistema.

A qualquer momento podemos fazer isso, mas o final do ano, em razão das nossas convenções de calendário, é sempre o momento considerado ideal.

No entanto, quando fazemos, costuma ser de forma superficial, festiva, simplesmente dando uma olhadinha pra trás e depois fazendo listinhas de compromissos pra frente, quase sempre repetindo os do ano anterior, colocando metas inalcançáveis ou nas quais não acreditamos realmente. 

Quando nosso sistema reinicia, ou seja, o ano novo começa, a gente parece leve, ágil e animado. Mas se o hardware está sobrecarregado, cheio de aplicativos que não nos servem mais, crenças que carregamos desde criança e relutamos em abandonar com medo de desagradar os outros, rancores mal resolvidos, tristezas não transmutadas, em pouco tempo vamos ficando travados de novo. 

O oba oba dura pouco e somos engolidos  pelos compromissos  e a roda viva deste mundo alucinado que nos engole na vida real e na virtual. Sim, ainda temos que administrar nossa “persona’ virtual também.

Então, quem poderá nos “salvar”? Os “mitos, santos e  gurus” estão aí por todo lado, e podem inspirar, mas, não adianta, no fim é a gente com a gente mesmo. Ninguém vai bancar nossas escolhas, muitos só criticam ou julgam, portanto, além de fazer planos, sonhar ou planejar, a tecla que temos que acionar é a do “foda-se”.

Sim, parece apelativo né, mas a expressão não quer dizer não se importar com nada nem com ninguém, muito menos autossuficiência, mas  assumir nossas escolhas  que podem não ser as mesmas dos nossos parentes, amigos ou colegas de trabalho. De preferência e principalmente sem a beligerância e afrontamento que tem marcado nossas relações e posicionamentos.

Tem a ver com autorresponsabilidade, tão raro hoje, já que estamos com os dedos apontados para os outros, esperando que alguém faça por nós, vitimizando, engessados por verdades, ou com medo de arriscar  e dar com a cara no chão. 

 Desligar, contar até dez ou dar pulinhos e ligar de novo esperando que o milagre aconteça, só nas máquinas e olhe lá. É preciso entrar em contato com o vazio que fica e não ter pressa em instalar novas demandas e apps anestesiantes.

Tudo isso digo pra mim mesma, na expectativa de que me resetando, meu novo hardware se recarregue leve, alegre, sem tantas expectativas, de coração aberto, firme nos propósitos, mas com jogo de cintura também.

Dançando com a vida…E vibrando no amor…Isso computador não faz nem ensina…

5 comentários em “Resetando

    1. Lena Que reflexão top Tô me resetando tbm E acho que devemos fazer isto mais. “”O corpo pede mais de calma….o corpo pede mais de alma … A vida não para” Bjs Lena

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