Somos natureza. Quando esquecemos disso?
Vivemos numa era de separação e dualidade. Eu e o outro, a natureza e nós, o bom e o mau, o certo e o errado, a matéria e o espírito, a mente e o corpo, pensamento e sentimento…
Na realidade tudo é uma coisa só. Fragmentamos para conhecer, dissecar, descobrir, entender, mas levamos esta fragmentação para a vida.
Usufruímos da natureza da mesma forma que adquirimos uma roupa, um carro ou uma bicicleta. Queremos dela o que nos serve, no momento que nos convém, da forma que for mais rentável.
Visitamos, contemplamos, registramos lindos momentos em meio à natureza, mas no dia a dia ela parece não fazer parte da nossa vida. É mais um entretenimento, um lugar de relaxar e energizar.
A falta extrema de conexão está fazendo a gente transformar a Terra numa grande lixeira e esta mentalidade se reflete em nós. E transformamos nosso corpo e nossa mente numa lixeira também.
Somos natureza! Mas, com a nossa inteligência veio junto a arrogância de nos colocarmos no topo e à parte. Topo do quê?
Nas catástrofes, ficamos aliviados quando encontramos e apontamos “culpados e responsáveis”… nosso ego relaxa, nossa indignação é alimentada, mas não é desse lugar que vem a mudança…mesmo porque pequenas catástrofes estão acontecendo diariamente.
Comecemos por nós, não cultivando resíduos e sentimentos tóxicos que vão nos adoecer e transbordar para nossas relações.
Comecemos por nós, mudando o olhar e nossas ações, evitando “coisificar”, precificar e estratificar tudo aquilo que tem ou é vida…
Enfim, talvez estejamos nos dessensibilizando para entrarmos na era da existência virtual, robótica, quando tudo será criado e reposto via impressora 3D, e aí sim, viveremos em plenitude com nossa almejada autossuficiência e independência do natural e do coletivo. Vai saber…
Mas enquanto isso não acontece e não “chegamos lá”, a mágica da vida se dá em grande parte à nossa revelia e muita coisa ainda foge da nossa compreensão, a natureza tem muito a nos ensinar, as mazelas que provocamos batem à nossa porta, portanto, manter e estimular um mínimo de humildade e empatia ainda se faz necessário.
Se é desafio que nos move, estamos diante um um grande e definitivo desafio…
Parabens, Lena, suas postagens sao sempre oportunas e ricas de conteúdo.
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