Das coisas em extinção

Alpendres sempre me chamaram atenção.

Para quem não sabe, alpendres são aquelas varandinhas na frente das casas mais antigas. Normalmente são contornadas com meias-paredes e lá cabem apenas duas cadeiras, um vaso de planta e um tapetinho.

Neste tipo de casa, por não serem muito recuadas e não haver muros altos na sua frente, o alpendre permite avistar o movimento da rua e ao mesmo tempo acompanhar o movimento interno da casa, já que a porta de entrada costumava ficar aberta.

Já sonhei morar numa casa com alpendre e tento analisar porque. Talvez busque algum limite territorial que freie também os anseios que a vida moderna exige de nós. Estar sempre fazendo algo, assistindo a alguma coisa, ou indo a algum lugar. Ao mesmo tempo é um limite “amigável”. Não nos coloca em confronto com o lado de fora. Foi-se o tempo, portanto.

Um espaço de não fazer nada, um lugar de observação, aquietamento, que hoje buscamos com meditação e mindfulness.

Uma “varanda gourmet” pressupõe um evento, uma bebida, um cardápio e uma playlist. Bom também.

Mas no alpendre apenas estamos e nele podemos acompanhar o cotidiano de quem passa todo dia, de quem passa de vez em quando, a mudança das estações ou o crescimento da árvore em frente. Por isso ele ficou inviável. Precisamos de estímulo o tempo todo e parar está fora de cogitação.

Conheço ainda alguns no meu entorno e faço este registro nostálgico porque sei que estão com os dias contados, e sei também que a vida moderna não nos permite mais estes “luxos”.

7 comentários em “Das coisas em extinção

  1. Lena, sabe o que eu mais lembro? O alpendre da casinha ao lado da nossa casa, onde o Jarbas morou uns tempos. A gente ficava sentada la para conversar. Ela era alta e tava pra ver a rua toda. Tempo bom!!!!!!!!

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  2. Lena, meu alpendre está sempre à sua disposição. Dele vc. verá um jasmim, um flamboyant e um pau brasil. E verá também os prédios construidos e que tiraram a nossa vista de “um belo horizonte” au complet.

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  3. Não é que nos é comum esse tema? Ainda acho que vou ter um – sonho impossível regado a nostalgia.
    Durante um curto período de tempo desfrutei de um alpendre, com direito a banquinho e samambaia, lembra?

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