Supitando…

Queimadas nas florestas, reservas e cerrado, vazamentos de óleo nas praias…

O que nós do sul maravilha, detentores da maior parte do PIB nacional, portanto os maiores consumidores, temos com isso? O que todo mundo tem a ver com isso?

Óbvio que tudo. A gente quer conforto, praticidade, novidades a custa de plásticos, embalagens, garrafinhas, deliverys, fast food, gadgets atualizados…

O petróleo não existe só para fabricar a gasolina dos nossos carros. Ele está em tudo, na composição, na embalagem ou no transporte..

E a gente fica indignado com as tragédias e não recusa sacolas, pede comida pronta por preguiça, bebe água engarrafada, compra uma fatia de bolo ou comida japonesa envolta no isopor e no plástico e vamos assistir nossas séries esperando o carro elétrico chegar e resolver o problema.

Nossos peixes, nosso sal e nós mesmos ja estamos ingerindo plástico, que são disruptores endócrinos e já vem causando sérios problemas de saúde desde a infância, acompanhando até a fase adulta.

Quantas guerras, crises econômicas e políticas, ditaduras, estão acontecendo, e já vem acontecendo anos a fio por conta do petróleo?

E parece que a dependência só aumenta… e os conflitos também., bem recentes até.

Fato é que a Terra está supitando. Nós estamos supitando… É como uma pia entupida que fica regurgitando os nossos excessos (de muito e de pouco), nos mostrando que não cabe mais e a gente bombeia, empurra, limpa e torna a abusar.

Não ter tempo, pressa, cansaço, tudo é usado pra fechar os olhos e optar sempre pelo embalado e comprado pronto. Quanto plástico de uso único, de 10 minutos no máximo, usamos no nosso dia a dia? Embalamos bananas, maçãs, talheres em restaurantes, copos descartáveis infinitos em estabelecimentos, festas, bares, os produtos de 1,99…

Usamos a palavra descartável indevidamente. Não existe descartável. O produto, ou lixo, como dizemos, apenas sai do nosso campo de visão. Continua entre nós, engasgando os animais marinhos, consumindo mais energia, poluindo rios, adoecendo as pessoas. É uma engrenagem que precisa ser repensada.

A indústria parece adivinhar nossos “desejos” e nos corteja com muitas novidades práticas, e agora passam um verniz de “greenwashing” para ficarem bem na fita da sustentabilidade, mas na verdade, de sustentabilidade tem pouco ou quase nada.

Não adianta mais se contentar com nossas latas de lixo reciclável. Apenas um naco é reciclado na realidade, e o volume de resíduo aumenta exponencialmente Fora a falta de educação de letrados e iletrados, que simplesmente curtem seu lazer e deixam um rastro de sujeira pra trás.

Qualquer coisa que a gente fizer no sentido de reduzir e repensar nosso estilo de vida é necessário e ainda é pouco, embora a gente saiba que é insuficiente num sistema predatório como esse em que vivemos, mas não fazer nada não é mais uma opção. Supitou.

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