Eu e meu lixo: um balanço

Este ano me propus a reduzir meu lixo e aqui estou fazendo um balanço dessa experiência.

Há algum tempo sigo pessoas que são referência nas redes no quesito lixo zero e aprendi muita coisa, quando achava que bastava separar o lixo orgânico do reciclável. É um tema caro pra mim e penso que não adianta achar todos os movimentos lindos, a Greta, os eventos internacionais que falam, falam e pouco fazem, se horrorizar com as tragédias ambientais, se isso tudo não redundar em mudanças de consciência e hábitos.

Não sou ativista de nada, mas acredito que nossas atitudes podem ajudar a virar chaves.

E tudo começa com as ecobags. Junto com o celular, a carteira, a chave de casa, os óculos e o batom, ela faz parte do kit bolsa, que agora também carrega um copo reutilizável ou uma garrafinha, que abasteço ou não dependendo de onde for, pra evitar comprar as de plástico. Mas não foi simples. Nos rendemos aos smartphones na maior facilidade, mas se acostumar a sair com uma ecobag demora e tem que acreditar.

Um degrau acima é ter uma composteira. Fiz uma composteira pequena. Achei que seria o suficiente para uma casa com 3 pessoas mas não está atendendo. Não é um processo simples como podem nos fazer acreditar, principalmente se não houver engajamento de todos os moradores. Hoje somos cheios de “nojinhos” e assepsias e lidar com o orgânico é um desafio. É algo que exige atenção também. Mas persisto. Já há em BH e em outras cidades, ONGs que recolhem o lixo orgânico. Mesmo assim, ele tem que ser separado.

No meu bairro tem coleta seletiva, mas gostaria de ver meu reservatório de “recicláveis” menos cheio, já que não sabemos exatamente como este material é tratado. E ele dá uma medida do nível do nosso descarte, e de quanto pagaríamos se nossos resíduos fossem taxados.

O olhar vai mudando e minhas compras hoje levam muito em conta as embalagens. Já deixei de comprar muita coisa por vir envolta em isopor, plástico e afins. Recusar sacolinha ainda causa estranheza em muitos estabelecimentos. Tento devolver as bandejas de isopor para os fornecedores, no caso, feirantes.

Tenho tentado também mudar rotinas de cuidados pessoais pra diminuir os descartes. Um baita desafio, principalmente para as mulheres, já que a publicidade nesta área é quase cem por cento feita e direcionada pra nós que não podemos ter pelos,rugas, barrigas, celulites, etc. Mas considero meu placar este ano positivo. Um produto pode servir pra muita coisa.

Enfim, uma coisa puxa outra e a gente vai ficando mais antenada, mais neurótica também, mas parece ser um processo sem volta. E cresce a percepção de que criamos um monstro: o plástico. Últil e necessário, claro, mas a coisa saiu do controle e nossa mente automatizada para ter tudo prático, rápido e descartável fez dele um algoz e já estamos até comendo plástico, adoecendo por causa do plástico, matando ecossistemas por causa do plástico.

Nessa tentativa de reduzir o lixo, outras demandas vão aparecendo. Mudanças na despensa, no trato do alimento, na lista de produtos de limpeza da casa, no guarda roupa…um universo cheio de possibilidades e polêmicas, desde o sistema capitalista, as substituições mais viáveis, os oportunismos da indústria, a educação que nunca chega, a preguiça, a falta de tempo que hoje é usada indistintamente: (se temos quase tudo a um toque do celular, deliverys, streamings, eletrônicos, elevadores, eletrodomésticos, apps infinitos, porque diabos cada vez falta mais tempo?) Que sistema é esse que exige de nós tanto tempo e energia pra lidar com os resíduos? Não seria mais lógico não tê-los? Eles só aumentam na verdade. Vide comida delivery.

Não tem jeito, concluo. Reduzir lixo, (dizem que lixo não existe e não existe jogar fora) envolve reduzir consumo, rever muitos conceitos, engajamento – porque tudo conspira pra gente desistir e jogar a toalha- e implicância- sim, vamos ficando implicantes. Mudar qualquer coisa considerada “normal”, também significa ser vista como radical, chata, e a gente volta e meia pensa: pra quê isso, não adianta, não vai ser desse jeito, uma andorinha não faz verão.

Mas as informações vão chegando. De cientistas, especialistas, e a vida real está nos mostrando que do jeito que está não dá mais. A gente se vangloria de ter muita informação, mas esperamos soluções mágicas, de terceiros e que não nos incomodem, por favor.

Muita coisa vem mudando, não sei se no ritmo ideal, a despeito daqueles que defendem uma Terra arrasada.

Um cabo de guerra, cada um puxando pra um lado, outros fazendo cara de paisagem, mas sigo me informando, questionando, persistindo sem martirização e me apegando na ideia de deixar uma casa mais limpa para os pequenos que estão chegando por aí.

Pode não ser quase nada, mas é o que tenho dado conta.

5 comentários em “Eu e meu lixo: um balanço

  1. Voce está certa, Lena, mas isso dá um trabalho danado. Ao invés de pegar sacolas de plástico você tem que se lembrar de ter uma ecológica na bolsa , outras no carro , etc. etc. Devolver as embalagens de isopor, saber onde se descarta pilhas e baterias , e lámpadas de neon, etc. etc.
    E por aí vamos, tentando, tentando, , enquanto o lixo nas praias aumentam, não se descobre de onde veio o òleo no mar, o presidente chama ativista de pirralha, os indios morrem, o decreto que impedia plantar cana de açucar na Amazônia é revogado, e vamos lutando. Um dia chegamos lá.

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  2. Lena, estou nesses processo, mas muito longe de você. Pra mim, o melhor caminho tem sido consumir menos. Esse ano comprei quase todas as roupas de brechó, achei uma ótima! Tento não pedir deliberou, porque fico abismada com o tanto de descartável. O mais difícil pra mim é a água (compro muito). E tem me irritado muito os itens de beleza também, principalmente shampoo e e creme, que gasta muito. Já tentei em barra, mas não rolou. Uma solução mediana foi comprar shampoo na embalagem de um litro, essas q fornecem pra salão… Vamos tentando…

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