O que dizer de 2019? Passou como um turbilhão, com eventos avassaladores. O ano em que o externo comandou o interno, e um exercício contínuo de me manter no prumo, não alheia, mas íntegra. Foram muitos vídeos e podcasts assistidos, muito Insta, muita interação e vivências no virtual e muita procrastinação também. Alguns nocautes da menopausa e diversos dribles pra manter a saúde física e emocional. Primeiro ano do governo do Bozo, superando negativamente toda minha expectativa que já não era boa, me sentindo como na novela O Alienista de Machado de Assis. Alinhavei vários posts neste blog que serviram pelo menos pra me livrar ou trocar de ruminações, mas tudo brotando da alma também. Viagens poucas, mas boas, faltou ir à praia, uma grande falta. Inábil que sou para engajamentos, colaborei ao menos financeiramente com vários projetos, entidades e crowdfundings, amenizando as culpas, acompanhando e dando gás pra quem tem e desenvolve um bom propósito. Muito vinho e caminhadas com o marido, que me cercou de cuidados, carinho e exercitamos juntos a paciência mútua. Falando em caminhar, como andei este ano! Filhos fazendo ou vivendo a vida que escolheram, com muita intensidade e me enchendo de orgulho. Mesmo de longe, compartilhamos alegrias, angústias e muito amor. Papariquei minha mãe, nessa nova fase de ser sua própria companhia, fazer suas próprias escolhas e lidar com tão presente ausência. Um ano passado sem meu pai, que me visitou em sonhos e cuja lembrança aquece meu coração, Embora culto e sábio, tenho certeza que estaria tão confuso como qualquer um de nós. Família próxima buscando uma nova configuração de relacionamento sem nosso esteio, mas sempre um amado porto seguro. Outras perdas, próximas e de longe, que sempre testam nossa resiliência, a aceitação e a valorização das imensas pequenezas da vida. Amizades poucas, mas presentes dentro do que o imperativo virtual e meu temperamento introspectivo permitem. Nesses tempos bipolares, conversas um tanto rasas, andando em ovos, algo a ser repensado. Embora com casa vazia, passei muito tempo na cozinha, lugar de experimentar alquimias fora da caixa, mesmo que só pra mim. Realizações? Miudezas, que não incrementaram o PIB, lamento Guedes. Aprendizados? Muitos, ainda que não tenha feito estudos sistematizados. Dúvidas, questões? Sempre e a todo o tempo e frustrações também. Leituras, não tantas quanto gostaria, mas intensas e marcantes. Me alegrei com os nascimentos, casamentos, aprendi com as desavenças, tentei ficar mais amiga de mim mesma. Momentos de solidão e de solitude, lavar muita louça, sol, pisar o chão, silenciar, rir, agradecer, tudo fez parte desse ano esquisito que vira e mexe nos remete a tempos sombrios da nossa história e a condutas e discursos da idade média. Mas seguimos… que esta é nossa sina. Agradeço a quem se deu ao trabalho de acompanhar meus textos, postagens, e abobrinhas. Tive suporte, companhia, muitas bençãos da vida, e por isso sou grata também. Sonhar, sim que não sou boba. Expectativas? Não crio. Agora é dia a dia, momento a momento, escolha a escolha e dar conta delas.
E já aguardo 2020 com o mantra/prece do Hoponopono
“Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grata”.
Linda a sua retrospectiva de 2019. Foi uma ano de medos, inseguranças, dúvidas, mas de alegrias como o casamento da Laura e a minha grande energia, o meu neto João, para compensar a grande perda do nosso pai. Tb irei caminhar dia após dia, tentando segurar a minha ansiedade. Que venha 2020 mais leve!!!!!!
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Lelena, minha querida amiga, tempos difíceis. Mas admiro cada um dos teus avanços e quero dizer que te amo muito e que você é um dos maiores seres pensantes com quem tenho a alegria de partilhar a vida! “Ando devagar porque já tive medo e levo esse sorriso, porque já chorei demais.”
Sigamos em frente, o futuro está nos chamando. Conte comigo!
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