Miscelânia

Fazendo uma miscelânia aqui.

Aprendemos que quando vamos plantar algo temos que limpar o terreno todo.. Aí abrir as covas e colocar as sementes. Não pode ter “daninhas”, pragas, animais… E a plantação fica frágil porque não integrou com o ambiente, e adoece e colocamos venenos, fertilizantes, porque o terreno fica fraco.. Aí mais pragas aparecem e fazemos reméditos mais fortes e vira uma queda de braço.

Com o nosso corpo também. A gente acha que toda nossa força está na mente, nas nossas brilhantes ideias, mas grande parte dela vem das profundezas dos nossos intestinos. E ficamos assépticos, limpamos tudo, compramos coisas embaladas, e evitamos as nossas sujeiras (internas e externas). Nossa microbiota fica sem resistência e adoecemos e deprimimos e tomamos remédios cada vez mais fortes porque não temos mais instrumentos fisiológicos de auto regeneração .

As bactérias “ruins” sempre estão lá, não adianta. A gente precisa alimentar outras bactérias “do bem” pra fazer frente e nos deixar mais fortes. Da mesma forma a terra. A agroecologia propõe integrar tudo o que o ambiente possui e produzir em harmonia com ele. Isso não é utopia, já existe, a gente não quer ver. E o ambiente retribui, e há a tal escala, desde que a gente respeite os ciclos. Comer batata o ano todo não é respeitar ciclos.

E a miscelânia continua.

Assim é na política. Queremos sempre “limpar o terreno” primeiro. Tira o PT, tira fascista, tira movimentos sociais, tira negro e índio, tira mulher, tira religiosos, tira cientistas, cada um tem sua erva daninha, e assim vai. Quando a terra estiver “arrasada”, quem ganhou o terreno começa seu plano.

Que plano? Que projeto? Para quem?

Vai ser sempre um plano frágil porque não integrou todos os seres.

Aí vem os remédios: populismo, elitismo, autoritarismo, corrupção, violência, exclusão. E vamos sendo massa de manobra pra cada remédio desses. Somos a bala do canhão ou o avião com agrotóxico. Principalmente a classe média. Viramos instrumentos, com nossas “boas intenções”. Estamos sempre “lutando” contra alguma coisa e não construindo a despeito de.

Fascistas sempre existiram como as bactérias que nos causam infecções. Mas como está nossa microbiota política? Está forte, se alimentando de projetos inclusivos, aumentando o coro dos que querem mais vida e menos extermínios? Podemos tomar antibióticos ou tomar medidas duras como impeachment em crises, mas temos que ter um meio ambiente político mais saudável e terreno fértil pra depender menos deles.

Sem integrar luz e sombra, sem nos colocar como parte do problema e nos fortalecermos, sem amolar os machados e entendermos que as “daninhas” tem algo a nos ensinar também e podem nos tornar mais fortes e resistentes desde que alimentemos mais do que acreditamos do que combatendo o que consideramos “do mal”.

É uma nova perspectiva, difícil, principalmente nesse momento febril e doente, porque demanda mudanças pessoais, eliminação de antigas crenças, do belicismo e pode ser demorado. E a gente tem pressa.

Como diz Krenak, pressa pra ir onde?

3 comentários em “Miscelânia

  1. Adorei a analogia do cultivo da terra X microbiota intestinal X politica! Realmente, se há uma variedade nas bactérias do intestino, as ruins não fazem um grande estrago, pois acabam sendo inibidas pelas boas! O problema da politica é que há pouca “variedade” e os “bons” ainda são minoria.

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