Soja

Antes de parar completamente de comer carne, e já relatei minha trajetória aqui, fiz interrupções ao longo da minha vida, e naquelas épocas sempre me era apresentada a soja como “substituta” da carne/proteína. Aquela proteína texturizada, que parece uma ração.

Não me adaptava e desistia.

Até que descobri que proteína tem em um monte de coisa. Enfim, mas não é sobre isso esse post.

Queria entender porque transformar um país em um deserto para produzir soja? Em parte eu sei. É uma comoditty, é a base de todas as rações para animais. é o óleo de soja.

O brasileiro não consome soja in natura, normalmente.

E aí eu aprendi. O gado come soja, o frango é alimentado com soja, o peixe é alimentado com ração à base de soja. Daí que, ela sendo uma das culturas mais pulverizadas com agrotóxicos, todos os consumidores desses animais, pela bio acumulação, consomem doses cavalares de agrotóxicos e estamos preocupados apenas com o agrotóxico nos vegetais.

É uma cadeia de degradação, que passa pelo produtor, pela saúde da população em geral, pela população em volta, crianças, que recebem pelo vento, descargas de produtos tóxicos, é o meio ambiente, animais, abelhas, insetos…

Some tudo, acaba com tudo.

Quando fui em Bonito, fiz um traslado de Cuiabá até lá de van, e foram mais de duas horas só vendo terra arrasada e soja. Nenhuma árvore. E querem mais. Mais pasto e mais espaço pra monoculturas.

Estamos à beira de mais um racionamento de energia, do encarecimento dela, e sabemos as consequências em efeito dominó que isso acarreta. E tudo está interligado.

Um grupo de mais de 80 cientistas apresentou um panorama terrível sobre a emergência climática, mas quando a ciência apresenta algo que não é um remédio, uma pílula, uma vacina ou um novo gadget – tudo ótimo, claro – mas algo que demanda um repensar de paradigmas, a gente nega, acha alarmista ou achamos que não temos nada a ver com isso ou que pode esperar e resistimos em mudar hábitos. É complexo mesmo, reconheço e demanda políticas vindas de cima pra baixo também.

Mas estamos comendo plástico e veneno, literalmente. Eu sou privilegiada, tenho acesso a informação e bons produtos.

Mas me entristece demais ver o rumo das coisas.

Pessimismo? Pode ser. Não devia, pois o agro é pop, dizem. Sim temos também um celeiro de muitos e muitos produtos que colorem a nossa mesa, produzidos pelos médios e pequenos produtores, que não tem nem de longe os mesmos subsídios e benefícios dos monocultores, além de viverem em queda de braço com a poderosa indústria de produtos ultraprocessados, ( que também usam subprodutos da soja) e que seduzem pela praticidade, propagandas e pelo preço, muito mais em conta.

Tem luz no fim do túnel. Muitas iniciativas desabrocham por aí, mas ainda elitistas, pouco acessíveis.

O consumo de carne é um assunto sensível, eu sei, foi extremamente difícil abandonar, ainda é, e é um “produto” caro ao brasileiro, temos a cultura do churrasco, do “bacon é vida”, dos nutrientes, e da ideia de que, comendo carne estamos nutridos, o resto é mero complemento.

Mas essa desertificação, a queima de biodiversidades como a do pantanal e da Amazônia tem a ver com a gente, tem a ver com governos e nosso sistema que as transformam em monoculturas pra serem negociadas na bolsa e pra alimentar gados.

A pandemia está aí, estamos protegidos temporariamente pelas vacinas, ainda bem. mas esse modelo predatório tem seu preço. E não é barato.

Precisava registrar isso aqui, mesmo nesse grau de supercialidade.

Você come soja?

Soja sozinha não é vida. É moeda.

Um comentário em “Soja

  1. Ei, Lena, vc. está coberta de razão, mas a luta é dificil. Eu já me arripio quando ouço “agronegócio”. à vezes é preconceito, eu sei, mas os barões do agronegócio podiam investir em uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente. Há jeito, é só querer…..

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