Ressaca eleitoral e religião

Um post com ressaca de eleições pode não ser boa coisa. Mas corro o risco.

É impressionante como a política está entranhada na nossa vida.

Fiquei observando um guia na minha última viagem falando. Reclamou de um monte de coisa, disse como elas deveriam ser, questionou mundos e fundos, mas fez questão de dizer que não mexia com política. Nem votava.

Não adianta. Estava ali fazendo política.

Ela está em todas as escolhas que fazemos, na forma como consumimos, no que dizemos, com quem interagimos, no trabalho e até na nossa fé.

Sim, um fato que não é novo, mas está sendo resgatado por aqui é a mistura indigesta e perigosa de religião e política. E é disso que quero tratar e não da fé de cada um.

Sempre vivemos sob a égide majoritária da igreja católica. Que sempre fez política também. Talvez não a partidária, como estamos vendo hoje, mas ditando dogmas, costumes, calando as mulheres, excluindo os diferentes…alienando.

Numa determinada época se juntou aos movimentos sociais, atuando na criação das comunidades eclesiais de base e teve uma ala contra e outra a favor da ditadura. Isenta, nunca.

Digo, correndo o risco de cancelamento, que o conforto espiritual que as igrejas estabelecidas eventualmente nos dão tem um preço.

Agora vivemos o fundamentalismo das Igrejas pentecostais e no qual até a igreja católica vem pegando carona. Ainda bem que temos o Papa Francisco, dando um tom mais progressista.

As igrejas não pagam impostos. Já há projetos para que não paguem aluguéis.

A gente sempre “passa pano” por conta de projetos sociais, caridades, resgate de dependentes químicos, sociabilidade dos mais carentes….

A caridade é importante, quem sou eu pra dizer que não? Será sempre necessária nesse mundo tão desigual e ela não é prerrogativa de igrejas.

Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como dizem.

A caridade é ato altruísta.

Não é porque ajuda o próximo que merece regalias institucionais, fiscais ou morais.

Interpretam a Bíblia ao bel prazer de suas conveniências. Padres, pastores e afins assediam usando da confiança dos fiéis, os casos são muitos. Segregam.

A liberdade religiosa tem que contemplar as de matrizes africanas, que são perseguidas. Nosso preconceito não permite.

Estamos vendo no Brasil o oportunismo de líderes religiosos gananciosos, estelionatários e que agora tomaram assento no governo em todas as esferas.

Não podemos naturalizar isso.

O brutal estado islâmico está geograficamente longe daqui. Mas suas ideias radicais devagar vão se alastrando como rastilho de pólvora por aqui também.

Fiquemos atentas. A burca de tecido não chegou, mas a lavagem cerebral e o cabresto político estão aí a rondar principalmente as mulheres.

Dramatizei? Sim.

Mas como sempre diz meu filho Vinícius, eu avisei…

Mas avisar só não adianta. Precisamos evitar que elas obtenham mais benesses financeiras e que sejam responsabilizadas criminalmente quando for o caso.

E num primeiro e urgente momento, evitar que Bolsonaro ganhe a eleição.

Como disse lá em cima, a política está em tudo, até nas religiões, não conseguimos fugir disso.

Mas não podemos permitir que usurpem o Estado.

P.S. Até onde sei, Cristo nunca frequentou templos. “…Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.20

Que ressaca!

2 comentários em “Ressaca eleitoral e religião

  1. Intenso, muito…
    Acabei de chegar da missa no mosteiro da Vila Paris. Lá tem silêncio, musica e natureza.
    Um pouco de espiritualidade.
    O sermão hoje era sobre persistir.
    Cheguei em casa e li um pouco de cantilenas, fez pensar sobre o cuidar, segundo Leonardo Boff – “cuidar como atitude e não como ato”.
    Boas reflexões

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