A gente está acostumado a adotar símbolos. Faz parte da nossa necessidade de pertencimento e de marcar posição às vezes.
Há pessoas que usam hábitos de congregações, há os os uniformes militares, as famosas camisas de times, há as tatuagens, adereços religiosos e de partidos políticos, roupas específicas para cada ocasião ou roupas que também revelam uma intenção específica.
Há símbolos tenebrosos, como a suástica nazista, por exemplo.
Todos eles sinalizam nossas crenças, nossos interesses e até nossa personalidade, mas também mostram para os outros que às vezes não estamos do mesmo “lado” ou não somos da mesma turma. Tudo normal.
A questão pra mim e que observamos agora, é quando as pessoas se misturam com esses símbolos e introjetam pia e cegamente seus significados, e passam a condenar, rejeitar e até atacar os que não os adotam ou que adotam outros.
A nossa bandeira é um caso. Desde 2018 um grupo resolveu que ia sair da prisão do vermelho do PT e ia resgatá-la, colocando neste símbolo valores que eles achavam mais corretos e “civilizados” e salvar o país do comunismo ou da roubalheira.
De lá pra cá a camisa do Brasil e nossa bandeira absorveram mais valores que considero reacionários, patriarcais, preconceituosos e pseudo religiosos e os que as usam se consideram até superiores, os famosos cidadãos “do bem”. Só uma casta bem específica pode usá-la.
Daí para o fanatismo, 4 anos de governo Bolsonaro.
Também temos os fanáticos que usam o vermelho. Que acham que estão do lado certo da história, que dizem que só eles podem defender pobres e oprimidos, os fins justificam os meios…
Até as inocentes camisas de times viraram território minado. Se andar com elas em locais “errados” pode até ser linchado. As torcidas também podem virar seitas.
Fico imaginando quando for época da Copa. Quem será “autorizado” a usar a camisa do Brasil? Vamos nos unir de novo através deste evento? Ou o medo e a birra seguirá definindo o uso ou não dela?
Eu, particularmente, confesso que não faço questão. Todo símbolo patriótico me remete ao período da ditadura.
Quando usaremos nossos símbolos de forma leve, sem querer afrontar o outro, sem segregar, sem que eles nos aprisionem, suprimam nossa individualidade e não permitam que mudemos, que tenhamos outras experiências ou que a gente evolua?
A minha pergunta de hoje.
Certissima !
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