Neste final de mais um ano tenso e ruidoso, minha vontade é apenas de silenciar.
Nada de retrospectivas, balanços, votos, mensagens edificantes, por hora ao menos.
Falamos demais, brigamos demais, polemizamos demais, ouvimos demais, enredamos demais.
Zanzamos como baratas tontas à mercê das demandas que criamos ou criam pra nós ou a vida nos impõe.
E seguiremos assim, mas sem pausas não há abertura nem espaço.
Passo num ambiente infantil de um shopping e a música é sempre muito alta, e são muitos estímulos.
Nós, adultos, também estamos hiper estimulados. Com feeds, stories, reels, timeline, fone de ouvido, podcasts, dancinhas, memes, vídeos, séries, debates infinitos, problematizações e distrações que não nos descansam, só nos mantêm nesse looping de estímulos de sons e imagens e provocações.
E bate uma exaustão. Observe.
Nos estímulos também estão embutidos comandos, julgamentos e comparações, desencadeando sentimentos e gatilhos que podemos não estar aptos a administrar.
Diante disso tudo, o silêncio deveria ser nosso ópio, custo zero.
Mas nessa realidade capitalista, qualquer coisa que não se paga ou que alguém não g$nhe, não vale.
Está na moda o minimalismo de objetos, mas poderíamos praticar o minimalismo de estímulos também.
Meu desejo é silenciar.
Alguns momentos todo dia.
Mas o silêncio nos assusta, porquê?
Sssssshhhhh!
Shut up!
Pois é…. E vamos que vamos.
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