Se tem uma coisa que gosto de fazer é assistir a entrevistas. Desde sempre.
Atualmente ando ouvindo entrevistas através de podcasts.
Registro aqui também a alegria de ser contemporânea de artistas como Andréa Beltrão, Fernanda Torres, e Denise Fraga.
E foi desta última que ouvi lindas palavras numa entrevista no podcast da TRIP. Recomendo.
Dito isso, é sobre uma fala dela que quero me manifestar.
Ela disse que além da nossa agenda do “tem que”, “é bom pra que”, temos que colocar a alegria e o prazer nela também.
Citou como exemplo a dança. Disse que não entende como a gente dança tão pouco.
Qualquer criança quando ouve uma música já começa a se sacudir e que todos os povos originários sempre dançaram e manifestaram sua religiosidade através da dança.
Eu ouso arriscar uma tese, temerária até, correndo risco de “cancelamento”.
Há mais de dois mil anos somos catequizados e orientados pela Igreja Católica. Mesmo quem não professa a fé, foi criado de alguma forma nessa cultura religiosa tão arraigada.
Que castrou nossos corpos, e considerou tudo nele pecado. Da mulher mais ainda. A sexualidade é pecado se não for pra procriar, a vaidade pode ser condenada, o riso, a alegria não são bem-vindos.
Nossas missas são sisudas, contritas e reverenciamos um corpo torturado e pregado numa cruz, e junto com esta imagem, nos colocaram uma mortalha de culpas, pecados e dogmas.
Se Cristo, de acordo com uma parábola Bíblica, transformou água em vinho numa festividade de casamento, com certeza ele não condenava a alegria e as confraternizações. E era neste contexto que ele deveria ser lembrado, modestamente acho.
Mas ficamos engessados nos nossos corpos e nas nossas mentes com essa doutrina dos pecados, da dominação e do auto flagelo.
Além disso, sempre adotamos a cultura europeia do ballet clássico, que é lindo, mas é pra poucos, é penoso e não é propriamente nosso.
Depois dos 10 anos ninguém mais dança esse ballet, além de poucos escolhidos, e quando dançam vira um sacerdócio.
Talvez por isso o carnaval seja uma festa tão arrebatadora. Por alguns dias há uma “permissão” para que a dança, o batuque, o samba, a alegria e a fantasia deem vazão de forma espontânea e lúdica.
Pra depois entrarmos na quaresma, nas privações, na vida “real” sem brilho e sem dança.
Somos um país rico em manifestações dançantes, folclóricas, e ancestrais.
Que bom que tem sido colocadas em evidência , não sem muito preconceito e perseguições, as manifestações de matrizes africanas,( viva a Bahia!), que as histórias dos povos originários indígenas estão sendo buscadas e estudadas.
Que nossos corpos sejam alforriados, respeitados, cuidados e não sejam usados apenas para levantar ferro e participar de competições.
Que as próximas gerações venham mais dançantes, mais cantantes e com mais viço.
Não só no carnaval, não só no Tik Tok.
Mas na vida real.
Amo dançar, sempre gostei!!!!!Parei quando casei e tive filhos, mas sempre com vontade de voltar para uma aula de dança. Mas vem o preconceito, vc tá velha será?????????
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Enquanto estiver viva, pode tudo
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Lena querida , acho que vc. não frequenta, há muito tempo, eventos da igreja católica . Não é regra geral, mas houve uma modificação muito grande do seu tempo de catecismo para agora . Se liga. E vamos mesmo dançar enquanto podemos aproveitar uns joelhos com bastante ¨”lubrificação “
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